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Joaquim Nunes Claro, O Poeta – Médico de Sintra na I Guerra Mundial

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Foram muitos os sintrenses que participaram na I Grande Guerra. É por isso que existe, no Jardim da Correnteza, o monumento ao Soldado Desconhecido e onde, inscritos na sua base, podemos ficar a conhecer alguns dos nomes de soldados desaparecidos em combate.

De facto, correu muito sangue português naquele conturbado momento da humanidade. E um dos homens que participou, activamente, nesse drama, foi Joaquim Nunes Claro (Lisboa, 20 Abril 1878 – Sintra, 4 Maio1948), poeta que viveu dois terços da sua vida em Sintra que que serviu esta vila como médico e homem de letras.

Este poeta-médico, que prestou serviço no Hospital Militar de Hendaia, durante a I Grande Guerra, fez parte de um grupo boémio denominado “Clária”, onde perfilaram nomes como João de Barros, Ramada Curto, Sílvio Rebelo, Henrique de Vilhena, Leal da Câmara, Mayer Garção, Manuel Laranjeira, entre outros. Foi colaborador da Revista D. Quixote, onde publicou uns versos alusivos a Máceo, herói da independência cubana, e ilustrados por Leal da Câmara, motivando a reclamação imediata do ministro de Espanha, o que levou ao consequente fim da revista.

Foi também colaborador da Revista Nova; publicou Oração da Fome, e, em 1928, vem a lume o livro Cinza das Horas, que merece particular atenção.

Nesta obra, o soneto encontra um cultor lírico, de vibração patriótica verdadeiramente exemplar, e onde o processo poético atinge uma plasticidade formal encantadora. Note-se o soneto Pobres Rosas de Sintra, em que a efemeridade é uma constante:

“Toma essas rosas de dezembro agora,
Que ao frio, à chuva, esta manhã colhi,
Elas trazem humildes, lá de fora,
Saudades da montanha até aqui.

Hão de morrer d’aqui a pouco, embora!
Em cada curva, onde o perfume ri,
Trazem mais o eterno duma hora,
Que um frágil coração bateu em ti.

Aceita-as pois, mas, como a vida é breve,
E, um dia, porto, leve e branca a neve,
Há-de cair sobre o teu peito em flor,

(Não vá dezembro algum murchar-te o encanto)
Deixa tu que eu te colha agora, enquanto
Tens sol, tens mocidade e tens amor.”

Em Nunes Claro o soneto atinge a mais sublime forma de poesia, o que nosleva a compará-lo, em alguns dos seus versos mais subidos, ao grande Camilo Pessanha.

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