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William Beckford e a paixão por Sintra

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No dia 2 de Maio assinala-se a passagem dos 171 anos da morte do grande escritor inglês William Beckford. Pela sua paixão por Sintra, pela sua influência em todo o movimento Romântico e pela divulgação das nossas paisagens e monumentos, importa aqui falarmos um pouco mais desta personagem ímpar no mundo das Letras.

De facto, na transformação da mentalidade dos portugueses operada nos finais do século XVIII, os escritores ingleses vão ter um papel de capital importância. William Beckford (1760-1844) aportou em Lisboa, devido ao mau tempo, nove dias depois de ter partido de Inglaterra (Falmouth), em 15 de Março de 1787, com destino à Jamaica onde possuía grandes plantações de açúcar. Em consequência desta decisão acidental, permanece até Dezembro no nosso país, dando início a um dos períodos mais felizes da sua vida, na troca de amizade com os portugueses que constituem ponto alto na história das relações culturais luso-britânicas. E neste contacto entre um dos mais destacados impulsionadores do Romantismo inglês e a sociedade portuguesa dos finais de setecentos, Sintra ocupa um lugar proeminente.

Ao instalar-se, faustosamente, na Quinta e Palácio do Ramalhão, proliferam os contactos com outros estrangeiros que possuíam casa em Sintra, caso do cônsul holandês Daniel Gildemeester, proprietário da Quinta da Alegria e Campo de Seteais, do banqueiro Horne que habitava a Quinta do Relógio, ou então, numa crescente e continuada amizade, com a fidalguia portuguesa, particularmente a família do 5º Marquês de Marialva, D. Diogo Vito, Estribeiro-Mor do reino, que tinha casa em São Pedro a poucas centenas de metros do Ramalhão. Conhecedor da língua portuguesa, que estudara desde os dezoito anos, os seus relatos são íntimos, rigorosos, de uma beleza e sinceridade a ter em conta. Vejamos o deslumbramento de Beckford quando subiu ao alto da Serra de Sintra e estendeu os olhos pela paisagem:

«É ilimitada a perspectiva que se desfruta deste monte em forma de pirâmide: os olhos, baixando, dilatam-se pela imensa extensão das águas do vasto infinito Atlântico. Uma longa série de nuvens soltas, duma alvura deslumbrante, suspensas a pouca altura do mar, produziam um efeito mágico, e nos tempos do paganismo tomá-las-iam, sem grande esforço de fantasia, pelos carros das divindades marinhas, que acabavam de surgir do seio do seu elemento.»

Nos seus passeios pelo perímetro do ramalhão, por Sintra e Colares, Beckford capta a infinidade dos horizontes, a Natureza poderosa e vivificadora, o poder encantatório da paisagem, a visão do Promontório como espaço edílico onde o indivíduo se liberta e esquece as agruras terrenas. Tudo isto vive o poeta neste breve trecho e tudo isto é já romântico. William Beckford regressará a Portugal mais duas vezes, de 1793 a 1795 e de 1798 a 1799. Na segunda vez acabará por arrendar a Quinta e Palácio de Monserrate, deixando obras excepcionais nos seus jardins.

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