Grupos Políticos Municipais

ps1ppd-psd-1cds-pp1cdu1be1pan1mpt1

Calendário de reuniões

loader

Dia Mundial do Teatro

livros gil vicente

Comemora-se hoje, dia 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro. Em Sintra, são várias as iniciativas que vão dar cor e magia aos nossos palcos, porque existe, de facto, uma grande vitalidade teatral no nosso concelho. São vários, e de elevada qualidade, os grupos profissionais e amadores que têm conseguido manter acesa a chama da Arte, da Poesia e da Representação, por vezes ultrapassando enormes dificuldades, apenas superadas pela criatividade.

E ainda bem que Sintra possui esta vida teatral. Beneficia a cultura, o público e mantém, deste modo, o seu lugar cimeiro no panorama do teatro português. Foi assim no tempo de Gil Vicente, não apenas como palco onde se representaram os seus Autos, mas fazendo parte integrante da sua obra, ora como personagem principal como é o caso da tragicomédia O Triunfo do Inverno ou, como lugar de grande significado simbólico em A Farsa da Lusitânia.

Época gloriosa do teatro português, viria essa tradição a ser recuperada por Almeida Garrett, já no século XIX. E aí, uma vez mais, Sintra a surgir em todo o seu esplendor, sobretudo na peça Um Auto de Gil Vicente, onde o grande escritor romântico encontra aqui o cenário ideal para colocar Bernardim Ribeiro perdido num amor platónico pela Infanta D. Beatriz.

Neste dia em que se festeja a Arte Dramática, deixamos aqui a nossa singela homenagem a Sintra e ao pai do Teatro português:

«Naquela cova Sibilária, muito sábio e prudentíssimo Senhor, o autor foi ensinado que há três mil anos que uma generosa ninfa chamada Lisibeia, filha de uma rainha da Berbéria, e de um Príncipe marinho que a esta Lisibeia os fados deram por morada naquelas medonhas barrocas que estão da parte do Sol, ao pé da serra de Sintra, que naquele tempo se chamava Solércia. E como por vezes o Sol passasse polo opósito da lustrante Lisibeia, e a visse nua, sem nenhuma cobertura, tão perfeita em suas corporais proporções, como fermosa em todolos lugares de sua gentileza, houve dela uma filha tão ornada de sua luz, que lhe puseram nome Lusitânia, que foi diesa e senhora desta província. Neste mesmo tempo, havia na Grécia um famoso cavaleiro e mui namordo em extremo, e grandíssimo caçador, que se chamava Portugal, o qual, estando em Hungria, ouviu dizer das diversas e famosas caças da serra Solércia, e veio-a buscar. E como este Portugal, todo fundado em amores, visse a fermosura sobrenatural de Lusitânia, filha do Sol, improviso se achou perdido por ela.»

Gil Vicente

Farsa da Lusitânia

  |  Copyright: Câmara Municipal de Sintra 2017