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Sebastião Antunes | O Poder da Vontade

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O que posso dizer sobre a Revolução de Abril de 1974, é que a melhor coisa que nos deixou foi a descentralização do poder democrático. É de uma dimensão enorme, difícil de contabilizar, o progresso e a evolução social, económica e cultural despontada pelos municípios e freguesias em todo o território português. E eu, no meu percurso já longo de vida, tive a sorte de viver e partilhar um dos períodos mais ricos e entusiasmantes de toda a política nacional.

Com a descentralização do poder democrático, todo o país ganhou porque foram criadas as condições necessárias para o desenvolvimento local. Aproximou a decisão política das populações, levou os cidadãos a participarem, de uma forma mais activa e concreta, nos destinos das suas localidades. Em 1980, integrei pela primeira vez a Assembleia de Freguesia de Agualva-Cacém, e aí permaneci na oposição – mas sempre construtiva e dialogante, ultrapassando as diferenças e conseguindo consensos a bem da localidade – até 1993, ano em que me candidatei à presidência da Junta e o Partido Socialista venceu as eleições.

Julgo que o que se passou na, hoje, cidade de Agualva-Cacém, é um bom exemplo do que se tem passado em todo o país. Antes do 25 de Abril de 1974, Agualva-Cacém era uma localidade rural com muita população, mas sem as condições para que desse gosto viver lá. Agualva e Cacém estavam apenas ligados pela Rua Elias Garcia. Cacém a São Marcos, apenas comunicavam através da estrada 249.3. Era uma dificuldade tremenda para a população deslocar-se para dentro ou para fora da sua própria cidade.

Com a criação do poder local democrático, foi possível elevar a Freguesia à categoria de Vila, e desta, à categoria de Cidade. E com estas medidas foram criadas as condições que levaram a que, hoje, já se comece a gostar de aí viver. Já temos quatro Centros de Saúde e três Esquadras da Polícia de Segurança Pública. Para ser uma verdadeira Cidade, do meu ponto de vista, só nos falta a Universidade.

Recordo algumas dessas obras que, a meu ver, foram estruturantes e da máxima importância para essa modernização da cidade, sobretudo na área da mobilidade, e nas quais me empenhei, juntamente com uma alargado grupo de outros concidadãos dos mais variados quadrantes políticos. Quando foi inaugurado o Centro de Saúde do Olival no Cacém, em 9 de Março de 1999, contámos com a presença do, então, Primeiro-Ministro, Engº. António Guterres. Nessa altura, andávamos a tentar comprar um autocarro para a Junta de Freguesia que possibilitasse o transporte, sobretudo das nossas crianças e jovens estudantes e dos nossos idosos. Disse-o à Dr.ª Edite Estrela, Presidente da Câmara à época, em frente ao Primeiro-Ministro, que logo se disponibilizou a ajudar. Pouco tempo depois, a senhora Presidente da Câmara distribuiu autocarros por todas as freguesias do concelho.

De salientar, ainda, as obras da Av. dos Missionários, o alargamento e redefinição do túnel por baixo da linha do comboio, ao fundo da Av. dos Bons Amigos – eixo essencial da cidade, e a implantação do Programa Polis que, embora ainda não totalmente concretizado, veio trazer uma nova centralidade a Agualva-Cacém, fez respirar a cidade e devolveu a Ribeira da Jarda à população. Quanto ao Programa Polis, gostava de contar um pouco do que se passou. Um dia, enquanto presidente da Junta, fui conversar com o presidente da Assembleia de Freguesia, Dr. Domingos Quintas, e conversámos sobre a necessidade de se fazer uma grande intervenção no centro de Agualva-Cacém, já com a ideia de criar espaços públicos, de devolver a Ribeira da Jarda aos cidadãos, de criar uma centralidade urbana. Fomos os dois conversar com a Drª Edite Estrela que, de pronto, contactou o arq.º Manuel salgado para elaborar um plano. Era, então, Ministro do Ambiente o engº José Sócrates que lançou a ideia a nível nacional, fazendo nascer assim o Programa Polis.

Como membro inerente, estive vários mandatos na Assembleia Municipal de Sintra, integrando a bancada do PS. Mas, algumas vezes, lutei e votei contra o meu próprio partido quando estava em causa o benefício da minha Freguesia. Em 2001, porque achava que era o melhor caminho e porque nunca estive agarrado ao poder, propus a separação da cidade em quatro freguesias, facto que se veio a concretizar. Desse tempo fértil passado na Assembleia Municipal, recordo com saudade a figura do presidente Acácio Barreiros, homem que, sem questiúnculas, sabia levar os trabalhos adiante. Uma figura verdadeiramente extraordinária.

Agualva-Cacém está bem servida de transportes, e penso mesmo que, no que se refere a desenvolvimentos, é um bom exemplo para o Concelho de Sintra e mesmo para o País. Mas há ainda muito trabalho pela frente, pois uma cidade dinâmica e com a dimensão desta, sempre tem muitos problemas a ultrapassar. Gostava ainda de ver a Quinta da Bela Vista recuperada, com toda a sua História e monumentalidade, ou ver concretizada a ligação entre a Rua Belver e a Ribeiro de Carvalho, obra que muito facilitaria a mobilidade local. Acredito, sinceramente, que esses momentos estão para breve, pois os autarcas desta cidade sempre desejaram e trabalharam para o bem comum, em busca de uma urbe onde haja cada vez mais qualidade de vida.

Ex-presidente de Junta

António Sebastião Antunes

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