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Teodora Freire | Testemunho de uma Mulher Autarca

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“A participação direta e ativa de homens e mulheres na vida política constitui condição e instrumento fundamental de consolidação do sistema democrático, devendo a lei promover a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos“.  (Artigo 109.º da Constituição da República Portuguesa).

Como início de um Testemunho de Mulher Autarca, nada mais apropriado do que começar pelo Artigo 109.º da Constituição da República Portuguesa, que define e determina a igualdade no exercício dos direitos cívicos e políticos e a não discriminação em função do sexo no acesso a cargos políticos.

Muito antes de ter sido aprovada a Lei da Paridade (2006), foi minha decisão, quer na primeira candidatura, quer na segunda, incluir na Lista de Candidat@s à Assembleia de Freguesia de Stª. Maria e S. Miguel, em Sintra, 50 % de candidat@s de cada um dos sexos.

Em 1998, fizeram parte da lista 12 Mulheres e 13 Homens e, na Lista que apresentei em 2001, 13 Mulheres e 12 Homens.

Sou uma Mulher adepta da Paridade em projetos políticos, onde se cruzam Mulheres competentes – e não só por serem Mulheres – com Homens competentes. Sendo uma Mulher de convicções e de ação, pus desde logo em prática esse princípio. Mas quero, neste contexto, afirmar que na função autárquica nunca senti qualquer discriminação por ser Mulher.

A vida política não se pode dissociar da nossa vida pessoal, do nosso testemunho cívico, moral e mesmo espiritual. Assim procurei fazer sempre.

Tenho um lema que desde longa data me acompanha: “Ver, Julgar e Agir“. Assim, por via da eleição, abriu-se o espaço onde projetei esse lema na missão de Presidente de Junta que me foi confiada e que exerci com enorme alegria.

Estar ao serviço da causa pública, estar ao serviço das Pessoas realiza ainda mais o ser humano e torna-o inteiro.

A nossa experiência aumenta com as vivências e convivências trocadas com a população que nos envolve e com a ação desenvolvida globalmente.

Mas, é minha convicção que ninguém se realiza sozinh@ e ninguém faz tudo isolad@. Por isso, é mais do que justo identificar neste meu testemunho a colaboração inestimável e imprescindível de dois elementos do executivo que liderei, que sempre me acompanharam, com a sua lealdade, generosidade, saber, bom senso e rigor, em todas as decisões e tarefas cumpridas:

Ana Couto, Mulher rigorosa e atenta aos pormenores da legislação autárquica, não poupando esforços e entrega a causas cívicas e de cidadania, imprescindível em qualquer equipa;

José Teixeira Aparício, Homem sempre presente no apoio e na ação solidária. Infelizmente, já não está entre nós, mas partiu com o dever cumprido de nobre cidadão.

O Poder Local permite que cidadãos e cidadãs, uma vez eleit@s, projetem muito da sua experiência, da sua formação, da sua ideologia e da sua entrega pessoal à causa cívica no trabalho que realizam.

Sinto-me uma dessas cidadãs.

Como Presidente de Junta foi possível pensar e agir na Freguesia de Stª. Maria e S. Miguel e, parafraseando o Poeta, por quanto sou em tudo o que fiz:

Que prazer transformar espaços degradados em espaços intergeracionais de qualidade! Sempre com o objetivo de estimular o desenvolvimento das crianças e o lazer e descontração dos adultos que, regra geral, acompanham os mais pequenos, tendo o cuidado de respeitar as normas europeias de segurança.

Estes dois segmentos da população foram os que sempre mereceram a minha especial atenção e preocupação.

A prová-lo, aí temos o Parque Infantil da PORTELA, na Praça D. Afonso V, o Parque Infantil e Campo de Jogos em LOUREL, na Praceta Amália Rodrigues, e, ainda, mais três mini-parques, um em Lourel (Parque Jesuína Mariana), outro em CAMPO RASO e outro em CABRIZ.

Que alegria e prazer interior ter posto ao dispor da população alvo estes equipamentos! Recordo-me de um freguês me ter dito: “Minha senhora, não precisa de fazer mais nenhuma obra para voltar a ser reeleita”. Achei graça e sorri-me, pois bem sei que a entrega ao trabalho autárquico é esquecida com facilidade e a reeleição nunca está garantida.

Que gosto requalificar o Largo da Liberdade em CABRIZ, um objetivo desde o início do mandato, e imprimir-lhe um novo rosto! Lá está, para que a população possa dele usufruir para festas, profanas ou religiosas. E lá está também uma imagem de Nossa Senhora, fruto igualmente da nossa ajuda e empenho.

É impossível descrever, neste breve testemunho, muitas das ações postas em prática. Não posso, porém, deixar de referir uma outra área que me/nos deu imensa alegria – a da Toponímia.

Com a proposta de atribuição do seu nome a ruas, honrámos cidadãs e cidadãos que se distinguiram pelas suas artes, saberes, competências … E, na impossibilidade de @s mencionar a tod@s, enumero apenas alguns nomes, não porque outros nos mereçam menos apreço, mas porque tornar-se-ia extenso o texto:

MARIA ALMIRA MEDINA, Mulher inigualável e incontornável da vida cultural e cívica. Dedicada a Sintra, numa dimensão única, no seu envolvimento com jovens, e não só, apontando-lhes caminhos para a sua formação artística e pessoal. Uma grande pedagoga, que pretendemos, e conseguimos, homenagear em vida.

AMÁLIA RODRIGUES, a Diva do Fado. Impossível, a meu ver, não ficar assinalada na nossa freguesia esta Mulher amada por tant@s, e também por mim, com profunda admiração pela sua inesquecível e única voz.

GERMANA TÂNGER, exemplar declamadora e divulgadora da poesia portuguesa, mestre na “Arte de Dizer”, muito ligada a Sintra.

HOQUISTAS de Sintra, que obtiveram vitórias mundiais. Ficou o Bairro em Lourel conhecido por “Bairro dos Hoquistas”. Parece-me justo a este propósito “puxar a brasa à nossa sardinha“ - já que, até então, os Presidentes de Junta sempre foram Homens – porque foi no meu mandato que duas Mulheres - eu e Ana Couto, natural de Sintra e a esta muito ligada - propuseram que se perpetuassem os seus nomes através da toponímia da Freguesia.

Globalmente, muito haveria a testemunhar: o apoio a Projetos Educativos, Associações, Clubes e Coletividades, à Universidade Sénior, entre outros. Mas, para não me alongar mais, destaco apenas o apoio, quer direto, quer indireto, à Igreja de S. Miguel, na construção das Capelas Mortuárias, projeto em que pus todo o meu empenho. A necessidade era mais que premente! ...

Por fim, uma palavra para os afetos, num tempo em que tanto se fala deles na ação política, mas só alguns os praticam.

Sobre o assunto, posso afirmar, sem receio de qualquer desmentido, que a minha gestão foi toda ela movida pelos afetos e já são passados 15 anos …

Estipulei dias para receber os fregueses. Mas, como os respeitar se as pessoas se me dirigiam em qualquer lado e a qualquer hora? Como deixá-las sem ouvir as suas queixas, razões ou sugestões e dar-lhes uma palavra de compreensão ou apoio? Se se tratava de um problema que só de mim dependia, tentava logo resolver, para tranquilizar e ficar tranquila. A Solidariedade nunca foi para mim uma palavra vã!

Nem tudo foram rosas, é verdade, houve mesmo alguns espinhos, e alguns ainda me “picam na garganta”, mas nem tudo dependia da minha ação …

Sinto, porém, que toda esta experiência me enriqueceu muito, a somar àquela que já trouxe para a missão que abracei. Houve vivências e convivências às quais ficarei eternamente grata e que jamais vou esquecer!

E tudo isto só foi possível devido às Portas que Abril abriu!

 

Teodora Quintano Freire

 

Presidente da Assembleia de Freguesia

1990 – 1993

Presidente da Junta de Freguesia

1998 – 2001

Medalha de Mérito Municipal - Grau Prata

2002

 

 

 

 

 

 

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