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José Alfredo da Costa Azevedo | Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sintra em 1974

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A madrugada de 25 de Abril de 1974 foi vivida em Sintra com a mesma espectativa e esperança como no resto do país. Chegavam as notícias por telefone, por quem vinha de Lisboa no comboio ou pela imprensa e, ainda que na incerteza do resultado final, depressa se soube que tinha acontecido um golpe de Estado efectuado por um Movimento das Forças Armadas.

A 1 de Maio, os sintrenses saem à rua em força para manifestarem o seu contentamento. Reúnem-se no largo fronteiro ao Palácio Nacional gritando slogans e agitando bandeiras. No meio da multidão, um homem se destaca: José Alfredo da Costa Azevedo (1907-1991), grande republicano e democrata que, ao longo da sua vida, sempre havia combatido o regime do Estado Novo. Usou da palavra e o povo, empolgado mas ordeiro, percorreu as ruas da Vila e da Estefânia em cortejo.

Quando da Revolução, presidia à Câmara Municipal um homem moderado e tido em boa conta pelos sintrenses, o dr. António José Pereira Forjaz. Contudo, e percebendo que não tinha condições para continuar a exercer o cargo, entrega a sua demissão à Junta de Salvação Nacional que nomeia, como delegado junto das câmaras municipais a Norte do Distrito de Lisboa, o capitão Vítor Manuel Dias Ribeiro.

É ele quem preside, na noite de 20 de Maio, a uma reunião pública no Palácio Valenças que visava eleger a Comissão Administrativa que havia de conduzir os destinos do concelho até às primeiras eleições autárquicas democráticas, que só aconteceriam nos finais de 1976.

O concelho de Sintra estava, então, dividido em treze freguesias. E cada uma delas se fez representar por cinco elementos. É desse conjunto de cidadãos que constitui a referida Comissão Administrativa, tendo sido eleitos José Alfredo da Costa Azevedo (São Martinho), José Joaquim de Jesus Ferreira (São Pedro de Penaferrim), Arestides Aníbal de Campos Fragoso (Stª. Maria e São Miguel), Lino Paz Paulo Bicho (São João das Lampas), Jorge Pinheiro Xavier (Belas), Fernando Ascensão Cortez Pinto (Algueirão-Mem Martins), Álvaro Garcia de Carvalho (Colares), Manuel Monteiro Vasco (Rio de Mouro), Carlos Álvaro das Neves Quintela (Queluz), Manuel Maximiano Gonçalves (Terrugem), António Manuel Carvalheiro (Montelavar) e Mário Parreira Alves (Agualva-Cacém). Curiosamente, não surge a eleição do representante de Almargem do Bispo nesta altura. Contudo, na primeira reunião da Comissão, aparece João da Silva Silvestre, muito provavelmente o representante em falta. Nesta mesma sessão, José Alfredo da Costa Azevedo é eleito Presidente.

A 12 de Junho sai a Portaria que nomeia, oficialmente, a Comissão Administrativa e os seus membros tomam posse no Governo Civil de Lisboa dois dias mais tarde, a 14 de Junho, com excepção do Arq. Fernando Cortez Pinto que apenas toma posse a 19 de Junho, durante a primeira sessão de Câmara.

Esta Comissão Administrativa que abraçou o governa da Câmara Municipal de Sintra herdou graves problemas de desenvolvimento e de desordenamento do território. A falta de água em períodos críticos do ano; escolas a necessitarem de obras básicas ao seu funcionamento, lugares do concelho verdadeiramente esquecidos pelas anteriores autoridades, iluminação, esgotos, vias de comunicação… e a tudo isso tentou fazer frente com orçamentos muito minguados.

Tempos difíceis, por certo a criarem algum desalento pela impotência de fazer mais e melhor. Todavia, várias conquistas foram sendo realizadas, algumas delas de grande significado para o futuro de Sintra. Logo em início de mandato, José Alfredo e todos os outros vogais deslocam-se em trabalho a Belas. O resultado dessa visita foram várias obras na freguesia, nomeadamente na Venda Seca onde, entre outras obras, se limparam as minas e se substituiu a canalização dos fontanários públicos; e no Largo de Belas, com o seu ajardinamento, iluminação e pavimento.

Para a História de Sintra, nestes primórdios da jovem democracia portuguesa, ficaram actos como a implantação da estátua de homenagem a D. Fernando II, no Ramalhão; a atribuição e modificação de topónimos em todo o concelho; ou a recepção do espólio do escritor Ferreira de Castro, amigo íntimo de José Alfredo da Costa Azevedo, por parte do município e que constitui, hoje, o Museu com o nome do insigne escritor.

Sobre esta matéria, e algo emocionado pela recente morte do amigo, ocorrida a 29 de Junho de 1974, atente-se na Acta da Reunião de Câmara de 3 de Julho daquele ano, onde José Alfredo, antes da leitura do testamento do romancista, fez a seguinte introdução: «/…/ o Senhor Presidente que o escritor Ferreira de Castro passou em Sintra largos períodos da sua vida, terra que amava profundamente atraído pelas suas inconfundíveis belezas naturais e pelas suas boas gentes, escrevendo aqui a maior parte da sua imortal obra, num modesto quarto de um modesto Hotel. A sua devotada paixão por Sintra, levou-o a legar a este concelho e à sua população grande parte do seu espólio literário.»

Homem de fortes convicções democráticas, com grande sentido de justiça e honradez, José Alfredo da Costa Azevedo, o cronista e historiador de Sintra, marcou na vida e na obra toda a História do século XX no nosso concelho.

(Texto da autoria de João Rodil. Com a memória de José Alfredo da Costa Azevedo, Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sintra após o 25 de Abril de 1974, iniciamos a publicação dos testemunhos de várias pessoas que participaram na criação e consolidação do Poder Autárquico Democrático em Sintra nos últimos 40 anos.)

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