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20 anos da elevação de Sintra a Património Mundial -Texto do Coordenador do Gabinete do Património Mundial de Sintra, João Lacerda Tavares

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Em 1995 uma nova classificação vem distinguir a área excepcional constituída pela serra e vila de Sintra. Naquele mês de Dezembro, há 20 anos, era apreciado com êxito o processo de candidatura junto da UNESCO iniciado por Victor Serrão em 1988 e levado a bom porto por José Cardim Ribeiro. E nesse dia 6 de Dezembro que agora celebramos, nasce a primeira classificação europeia da recente criada categoria de Sítios Património Mundial – As Paisagens Culturais.

Conhecemos o dossier(s) de candidatura, os critérios em que se inscreve, bem como as louvas que essa classificação mereceu. Contudo, sabemos pouco sobre o próprio processo, da persistência e habilidade dos homens que fizeram a candidatura e que hoje deverão ser, justamente, saudados. Mas também se deve felicitar o poder político, entre autarcas e governo, que naqueles anos conduziram politicamente a candidatura, assim como todo o trabalho diplomático dirigido por outros que, a meio deste percurso, lutaram contra o risco de uma eventual desclassificação. E, claro, a acertada criação de uma entidade gestora dos espaços públicos inseridos na área classificada – A Parques de Sintra Monte da Lua - que, em modelo de gestão único, teve, com mais ou menos percalços, o sucesso de recuperação dos principais monumentos do monumento maior. Numa altura de comemorações, realce para os que elaboraram o processo de candidatura, para os que contribuíram para a sua recuperação e aos habitantes de Sintra, os donos da classificação.

Regressando ao dia 6 de Dezembro de 1995 a UNESCO aprovava em Assembleia geral realizada em Berlim a Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade. A disputadíssima marca e, simultaneamente, insígnia distintiva de uma paisagem que já era destaque internacional, confirmava que os panoramas e monumentos, quando associados, demonstravam uma intervenção humana digna da mais alta classificação mundial em termos culturais. Este património, que sempre foi nosso, de Sintra e de Portugal, passava agora a ser de todos, da Humanidade. A especificidade de Sintra Património Mundial era justamente reconhecida, com a conjugação única do património edificado e o rico património ambiental a que se juntava o elevadíssimo património espiritual e literário.

Até então, tínhamos monumentos e paisagem exemplares, mas num ápice Sintra passou a ser uma referência mundial, a inscrever-se nos fóruns de maior relevância internacional sobre património, integrando a Aliança das Paisagens Culturais, a presidir à Organização das Cidades Património Mundial, a receber congressos da maior importância mundial nas áreas do património. De simples membro do clube Património Mundial até à posição de notoriedade que hoje possui junto dos parceiros Património Mundial, o valor da Paisagem Cultural de Sintra é hoje perfilhado por todos os que nos visitam e que apreciam a sua excepcionalidade.

Pelo meio, recuperou-se património, com uma dimensão, rigor e celeridade que são inquestionáveis e que nos permitem, nesta fase madura da classificação, poder afirmar - missão a ser cumprida -. A salvaguarda da autenticidade e especificidade é uma tarefa constante, de entidades públicas e privadas, e neste ano de comemoração deve ser coroado o sucesso do processo de candidatura com o compromisso de salvaguarda permanente deste exemplar património.

A Paisagem Cultural de Sintra é, ao final de 20 anos, uma existência. A sua essência maior é a identidade única que deve resistir ao rolo compressor do lado banal da globalização cultural. Pertença, identidade e especificidade são os desafios da classificação que, apesar da maioridade atingida, fazem parte de um processo em constante elaboração.

João Lacerda Tavares

Coordenador do Gabinete do Património Mundial de Sintra

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