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20 anos da elevação de Sintra a Património Mundial - Texto do ex-Presidente da Câmara Municipal, Fernando Roboredo Seara

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VINTE ANOS: O ESPÍRITO DA CLASSIFICAÇÃO  

Vinte anos é a combinação da esperança com a busca da serenidade. Há vinte anos foi a alegria imensa de uma justa e merecida consagração. E após um trabalho coletivo bem dedicado, rendilhado, com oportunas e atentas opções políticas. Em vinte anos, nestes vinte anos, Sintra foi descoberta por muitos e redescoberta por muitos outros.  Foi desejada e procurada. Foi encorajada e, por vezes, conscientemente armadilhada.

Mas Sintra foi encantada e, sempre, como escreveu LordByron, “encantadora”. Cresceu, e sem perder a sua essência e a sua universal magia, institucionalmente modernizou-se. Voltou a ser o “Monte da Lua” e reconheceu, recordando ereconstruindo,  os ideais de D. Fernando II. E “casou-se”, de verdade, com a Humanidade. A Paisagem emancipou-se da Vila e esta agradece-lhe todos os dias a sua força e a sua atratividade.  E nestes vinte anos a Paisagem foi sempre defendida. Principalmente dos fogos e de alguns que fomentaram outros “incêndios”. Vinte anos depois Sintra acolhe milhões de visitantes e o seu cenário é guardado.

Em múltiplas imagens. De muitas origens. Que abraçam, a partir da Vila “pinturesca”,o céu que a Humanidade consagrou. E que muitos homens e muitas mulheres defendem e protegem, acarinham e reconhecem, sentem e fomentam.

Nestes vinte anos procurou-se  sempre, apesar das diferentes e naturais matizes partidárias, que os sintrenses, todos os sintrenses, interiorizassem a classificação.Sentissem o espirito da classificação. Eles que são, ao mesmo tempo, decisores e contribuintes. Eles que são, ainda,  utentese fruem desta singular Paisagem. Detodos, logo da nossa Humanidade. Mas sempre com a convicção que as cidades – aqui, em rigor, a históricaVila de Sintra – devem ser mais do que meros memoriais de símbolos de vidas passadas. Têm que ser espaços das vidas presentes que nela confluem. Que abraçam o lugar e o sentem, de verdade, como seu. E terão que ser, sob pena de caducarem, vidas futuras que nela se projetem. É que cada presente, este concreto presente, é tão só uma ponte, uma ponte de vinte anos. Entre o momento solene da proclamação e o futuro certo da sua continuidade identitária. Onde estão palácios, monumentos e paisagens que importa, a todos os instantes, salvaguardar e proteger. De forma a garantirmos que as futuras gerações tenham acesso ao acervo natural, cultural e humanístico que fundaram a legitimidade da classificação desta Paisagem como património comum da Humanidade.

É que Sintra, esta Sintra de múltiplos cantares, esta Serra de amores contínuos e, também, aquele Oceano  aberto  que ao fundo as salpica é passado, é presente e é futuro. E é, também, a luxuriante e diversa flora e fauna que aqui chegaram dos quatro cantos do Mundo. A Humanidade aqui repousa. Aqui é protegida. E, por vezes, reproduzida. Aqui também foi natural e culturalmente classificada. Como comum, indivisível e indissociável da história e do futuro da nossa Humanidade. 

Mas esta Paisagem também nos vincula a uma ideia de pertença. É que o Planeta, o nosso Planeta, pertence a cada um de nós e a todos, em simultâneo, com as inerentes relações de participação e de solidariedade global. Relações tão esquecidas nestes dias em diferentes lugares também classificados e que a fúria e o extremismo dos homens destruíram num ápice. 

Esta Paisagem, carregada de história e de muitas memórias, é, ainda, um marco da nossa identidade. Da identidade de Portugal  e também da nossa pertença à Europa. E tudo, mas tudo, foi determinante para a classificação e para sua indiscutível manutenção. Vinte anos depois Sintra e a sua Paisagem, bem cultural, orgulham-se da sua classificação como Património da Humanidade!     

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