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20 anos da elevação de Sintra a Património Mundial - Texto do empresário André Jordan

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«O PATRIMÓNIO – O SEU VALOR NA ERA MODERNA»

Em todas as suas variantes, o Património — natural ou edificado, museológico ou imaterial — é um argumento identitário insubstituível nos sectores a que dediquei a grande parte da minha vida profissional: o Imobiliário e o Turismo. Querelas estéreis e infindáveis nos fazem perder muito tempo, energias e oportunidades quando se põe em confronto, e não em convergência, os interesses dos promotores imobiliários e dos operadores do turismo com os interesses de preservação do património.

Esquecemos frequentemente o que, à saciedade, a experiência nos ensina: não há preservação efectiva e sustentável do património colectivo de uma sociedade sem uma sólida e rigorosa atitude de o colocar na equação estratégica do desenvolvimento.

Na ausência ou escassez de recursos financeiros, o património degrada-se e a cultura fenece. Esmorece então a vontade dos cidadãos em cultivar, preservar e promover a herança preciosa que recebemos dos nossos antepassados: um território, uma língua e o conjunto de objectos, comportamentos e ideias que desenham a cultura de um povo. O vocábulo património, de origem latina, está historicamente ligado ao conceito de herança. Para os anglo-saxónicos a designação é mais clara e literal: chamam-lhe «heritage». Se recordo aqui a etimologia, é apenas para salientar que se trata de alguma coisa que recebemos de uma geração que nos precede e que devemos entregar à geração seguinte.

Mas não a iremos nunca entregar intacta e igual. No transcurso de uma geração a outra, o tempo – esse grande arquitecto, nas palavras de Yourcenar – haverá de deixar as suas marcas. Cabe-nos a responsabilidade de assegurar que essas marcas transformadoras sejam num sentido de valorização e não de delapidação e ruína.

Os progressos da tecnologia e das ciências dão-nos ferramentas de análise e técnicas executivas que permitem a aplicação prática no terreno de medidas inovadoras para o desenvolvimento das actividades económicas colaterais à produção cultural e à preservação quer do Ambiente, quer do Património. Em relação aos sectores em que actuo - os quais representam os dois maiores contributos para a formação do PIB nacional - há que introduzir novos conceitos e métodos, que identifiquem claramente propostas inovadoras para os mercados que queremos conquistar. É lamentável que nesta fase de aflição e angústia voltemos a exportar seres humanos em vez de exportarmos o que temos de mais atractivo para os estrangeiros: o bem que se está aqui. Graças às nossas paisagens, à cultura, ao clima, à gente, à gastronomia, aos vinhos, Portugal é o melhor que temos para exportar, lugar ideal para passar um dia, uma semana, ou o resto de uma vida.

Temos demonstrado condições para estar na vanguarda da defesa das heranças territoriais e culturais e este é um combate que não devemos descurar. Todos sabemos os riscos que há em intervir em espaços protegidos. Mas isso não nos deve conduzir ao imobilismo. Sob pena de criarmos, pela inércia, as situações que quisemos evitar na acção. O crescimento económico e o progresso colectivo não se fazem sem ideias inovadoras que promovam a convergência dos diferentes interesses e valores que partilham o espaço público. Tal como para a preservação do habitat do Homem e das restantes espécies em qualquer recanto do planeta Terra, cabe a cada um de nós, nos limites da actuação individual ou empresarial, fazer a sua parte na defesa colectiva da paisagem cultural que a Unesco em boa hora decidiu classificar em Sintra. No respeito pelo passado e pelo que ele nos legou, mas sem ansiedades paralisantes pela angústia das prospectivas.

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