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20 anos da elevação de Sintra a Património Mundial - texto da Associação de Defesa do Património de Sintra

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Sintra Paisagem Cultural da Humanidade (1995 - 2015)

A diversidade do Património Natural e Construído, interligando-se num todo, há muito que foi assinalada como excepcional, por quem aqui residiu e passou, ao longo de várias gerações.

Esta paisagem única foi sendo construída e aprimorada segundo o gosto e conceitos estéticos de quem nela tem habitado, aproveitando sabiamente as belezas naturais.

A coexistência entre a flora autóctone e várias espécies oriundas de outros continentes, mercê de um microclima especial, levou a que Sintra se tornasse como que num gigantesco e luxuriante jardim botânico, qual Éden Glorioso, o que, a par de palácios, igrejas e casario diverso, reflectindo as várias épocas em que foram construídos, faz de Sintra uma obra única que, ao ser lida, nos revela a sua história e nos emociona com o seu genius loci.

Mas nem sempre a conservação dos valores sintrianos foi isenta de sobressaltos, face aos acidentes naturais, à incúria e à insensibilidade de alguns.

A classificação de Sintra pela UNESCO como Paisagem Cultural da Humanidade constituiu uma importante alavanca para valorizar e reabilitar o património sintrense, por vezes tão esquecido e incompreendido.

Embora Sintra ao longo dos séculos tenha constituído uma referência para nacionais e estrangeiros que aqui se estabeleceram e a visitaram, nos últimos anos, mercê do seu património natural e construído que vai sendo reabilitado e da sua divulgação como um destino cultural único, está a sofrer uma afluência turística inusitada de milhares de visitantes no que se convencionou chamar a “época alta” e não só.

Assim, entendemos que é premente ordenar o estacionamento, nunca permitindo que, para estacionar vários tipos de veículos, se destrua a paisagem. É imprescindível um contínuo labor na recuperação e valorização do arvoredo e do edificado, sendo também necessária uma reflexão acerca do acesso contínuo de milhares de visitantes a espaços não concebidos para uso tão intenso, pois esse afluxo pode levar à deterioração do que se tem vindo a restaurar e a recuperar.

Consideramos também necessário divulgar o património imaterial, natural e construído nas zonas tampão e de transição[1] da paisagem classificada, para difundir os seus valores, aliviar a pressão sobre o Centro Histórico de Sintra e dar a conhecer aos visitantes outros aspectos de todo este território.

É imperioso que a economia das diferentes zonas seja impulsionada, duma forma sustentável, valorizando os aspectos culturais, arquitectónicos, agrícolas e gastronómicos de sítios quase desconhecidos por quem nos visita, não obstante o seu assinalável interesse.

A preservação da Paisagem Cultural de Sintra não tem sido fácil, pois carece continuamente de cuidados cada vez mais atentos face à crescente pressão turística. Um dos pilares mais relevantes para a preservação do património será levar aos residentes informação acerca do valor inestimável do Património Natural e Construído, pois ainda hoje alguns segmentos da população não estão inteirados nem sensibilizados para a conservação da Paisagem Cultural e da sua importância para a economia do concelho e do país.

Entendemos que, a par da responsabilidade acrescida das entidades com intervenção na área classificada, é uma obrigação civilizacional que todos nos empenhemos na salvaguarda da Paisagem Cultural de Sintra.

Associação de Defesa do Património de Sintra

[1]Conforme classificação da UNESCO.

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