
Sintra assinala no próximo dia 6 de dezembro 20 anos da sua classificação como Património da Humanidade na categoria Paisagem Cultural, ocorrida durante a 19ª Sessão do Comité do Património Mundial da UNESCO realizada em Berlim, e desde então encetou um percurso virtuoso no sentido da valorização da suas memórias e herança histórica internacionalmente reconhecidas.
Desde então, aqui foi aprovada a Declaração de Sintra, que procurou unir esforços para a mitigação e adaptação às alterações climáticas, documento no qual se procurou recolher experiências das várias zonas classificadas, criar plataformas de conhecimento para troca de experiências e boas práticas, consolidar a valorização do património e contribuir para um debate global sobre alterações climáticas.
Sintra passou a integrar igualmente a Aliança das Paisagens Culturais, uma rede internacional que procura preservar os espaços declarados Património da Humanidade pela UNESCO, e que são hoje mais de 60.
Em 2008, a Aliança produziu a Declaração de Aranjuez, na qual os sítios classificados expuseram as suas inquietações e analisaram a necessidade de compatibilizar a preservação dos lugares com um adequado desenvolvimento económico e social das terras e gentes em seu torno. Um dos pontos chave desta declaração, que quero destacar, assinala que a melhor forma de gerar cultura entre os cidadãos passa por estes valorizarem o seu próprio património, pois só se pode valorizar aquilo que se conhece.
Eu próprio fui eleito presidente da Organização das Cidades Património Mundial durante o 12º Congresso desta Organização que se realizou em Oaxaca, México, em mais um reconhecimento do relevo de Sintra e da sua importância e imaginário coletivo.
Ser Património da Humanidade implica a cumplicidade e o compromisso de todos, autarcas, comunidade científica, sociedade civil e stakeholders, na melhoria da Paisagem Cultural e na garantia da sua sustentabilidade, e apela à participação cívica das comunidades locais, enquanto elemento fundamental para o desenvolvimento sustentável das áreas classificadas. Traduz este anseio o reconhecimento e a verificação da necessidade duma cultura democrática de participação e transparência na gestão da Paisagem Cultural.
Estamos numa fase de maturidade e de conjugação de esforços com todas as instituições criadas para a defesa de Sintra, poi só se pode acarinhar uma ideia como a de Paisagem Cultural se ela for geradora de consensos e fonte de desenvolvimento económico e social para quem habita no seu território. A Paisagem Cultural deve ser pró-activa e aglutinadora, pois não há Paisagem Cultural sem pessoas, e não há gestão efetiva sem consensos e participação.
Que no território que a História fez jardim, como a Sintra se referiu Vergílio Ferreira, perdure aceso um fogo mágico na defesa dum espaço mítico, que mais que florestas e palácios constitui um experiência para os sentidos e um convite à sublimação dum particular “espirito do lugar”.
Basílio Horta
Presidente da Câmara Municipal de Sintra